Até este ano, Gussing sustenta 60% do consumo com energia limpa, o objetivo é tornar-se autossuficiente até 2015. | Imagem: wasser-osttirol
A cidade de Gussing, na Áustria, foi eleita a mais verde da Europa, pois reduziu, de 1995 até 2011, 95% de suas emissões de gases de efeito estufa. Além disso, desde 2005 o município gera mais energia renovável do que realmente precisa.
Gussing, em Burgenland, é um povoado de apenas quatro mil habitantes. Por um longo período a cidade ficou esquecida e os moradores não tinham perspectivas. Porém, em menos de 20 anos a região conseguiu alterar este quadro. Isso ajudou a atrair investimentos, empregos fixos, trabalhadores de alta qualificação e cerca de 30 mil ecoturistas por ano.
O que motivou o desenvolvimento da cidade foi uma crise em 1992. Na época, o prefeito Peter Vadasz assumiu o poder de um dos municípios mais pobres da região e descobriu que precisava de seis milhões de euros anuais para saldar as faturas dos combustíveis derivados do petróleo e de gás. Ao perceber que não dispunha de tanto dinheiro, ele criou uma alternativa: desenvolveu uma indústria renovável.
A solução de Vadasz também alterou outra situação preocupante, o fato da população da cidade migrar para outras regiões em busca de emprego. Com a indústria renovável ele criou mais de mil postos de trabalho.
A primeira iniciativa do prefeito foi exigir que todos os prédios públicos abrissem mãos dos combustíveis fósseis. Seu sistema gera energia a partir do sol, milho, estrume, serragem e resíduos agrícolas, mas boa parte é proveniente de madeira reflorestada. Como é gerado mais energia do que o necessário, o excedente é vendido e o lucro é de cerca de quatro milhões de euros anuais em receita para os cofres municipais.
De acordo com o engenheiro Rheinhard Koch, que assessorou o projeto, a ideia surgiu a partir do objetivo de gerar fonte de renda e do interesse em energias renováveis. Era preciso investir em tecnologia e infra-estrutura, pois a matéria-prima estava no próprio local.
O projeto teve o financiamento da União Europeia e contou com o apoio da Universidade Técnica de Viena, que em 1998, desenvolveu uma máquina que transforma a biomassa em gás de calefação e em biocombustível. No total há 24 centros de geração de energia, incluindo um posto de gasolina de biogás.
Segundo a Comissão Europeia, não se tem conhecimento de outro município que tenha conseguido diminuir tantos suas emissões de CO2. Até hoje, Gussing sustenta 60% do consumo com energia limpa, o objetivo é tornar-se autossuficiente até 2015. Tanta eficácia rendeu-lhe o título de símbolo da “revolução verde”, na Europa. Com informações da Uol.
Redação CicloVivo
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