Gás natural é uma arma fraca contra as alterações climáticas, diz estudo
16 de Março de 2012 • Atualizado às 05h00

Embora o gás natural queime mais limpo do que o carvão, um novo estudo afirma que, a substituição das usinas de carvão de todo o mundo por gás natural faria pouco para desacelerar o aquecimento global neste século.

"Há muitas razões para gostar de gás natural, mas a mudança climática não é uma delas", disse o físico Nathan Myhrvold, principal autor do novo estudo. "É inútil para [lutar] as alterações climáticas.”

Isso porque, a carga de dióxido de carbono já é tão grande, e sua vida útil na atmosfera é tão longa, que até mesmo uma passagem para eletricidade, completamente livre de carbono, não seria suficiente para reduzir as temperaturas ao longo dos próximos cem anos. A mudança do carvão para o gás natural seria cortar o efeito do aquecimento no tempo de cem anos por apenas cerca de 20%, enquanto a mudança para as energias renováveis ​​ou nuclear reduziria o efeito de aquecimento em cerca de dois terços a três quartos. 

Com este estudo, Myhrvold expôs uma nova direção. Para isso, ele se juntou ao pesquisador Ken Caldeira, da Carnegie Institution for Science em Stanford, na Califórnia, para comparar uma variedade de alternativas para as usinas a carvão.

Os dois cientistas estavam se perguntando, qual o efeito sobre o clima se o mundo fosse mudar do carvão para qualquer uma outra no menu de opções. "Nós percebemos que ninguém tinha feito isso", pelo menos não de forma sistemática, disse o físico.

O mundo tem atualmente usinas a carvão suficientes para produzir cerca de um terawatt de eletricidade – o equivalente a cada uma das sete bilhões de pessoas na Terra usando duas lâmpadas de 75 watts de luz, ao mesmo tempo.

No estudo publicado em fevereiro na Environmental Review Letters, Myhrvold e Caldeira procuraram mudar um terawatt de usinas a carvão para gás natural ou painéis solares, turbinas eólicas, nucleares ou outras opções. E eles testaram os efeitos das mudança fazendo toda a transição em um ano ou vagarosamente em um intervalo de cem anos.

"Nós encontramos alguns resultados realmente intuitivos", disse Myhrvold. Segundo ele, para evitar uma quantidade significativa de aquecimento neste século "você deve cortar as emissões por um fator dramático" por dez ou vinte vezes.

Se ao longo de 40 anos, o mundo mudar todas as usinas de carvão e passar a usar o gás natural, gerando metade do gás de efeito estufa por watt-hora de eletricidade, então o aquecimento seria lento, mas apenas por uma pequena fração, com temperaturas de 17 a 25% mais baixas do que seriam se o mundo usasse só carvão.

Mas, o corte na trajetória do aquecimento foi muito mais nítido para uma mudança da fonte energética, com emissões quase nulas para as fontes eólica, nuclear ou solar. A redução do aumento de temperatura foi de 57 para 81%, de acordo com os modelos de estudo.

Na realidade, o mundo enfrenta um desafio ainda mais difícil do que o descrito no estudo, que assumiu que o uso da eletricidade no futuro ficaria nos níveis de hoje. Quase universalmente, as projeções mostraram uma demanda mundial de eletricidade em crescimento no próximo século.

"Isto é um pouco deprimente", admitiu Myhrvold. Mas, acrescentou que, "é realmente importante uma perspectiva política para entender as dimensões que o problema tem."

Os resultados surpreenderam até mesmo Caldeira, que é especialista em mudanças climáticas e estudou como o dióxido de carbono dos combustíveis fósseis provavelmente permanecerão na atmosfera por um longo tempo - cerca de um quarto das parículas permanecerá no ar por mais de mil anos.

Este resultado era "meio óbvio quando você pensa sobre isso, mas eu não tinha percebido", disse Caldeira. Em defesa do gás natural, diversos anúncios aparecem regularmente na televisão divulgando-o como um combustível limpo.

Patrick Bean, conselheiro da política de energia limpa da American Clean Skies Foundation, não encontrou falha nos resultados do estudo, mas alegou que o gás natural, ainda assim, poderia ser útil.

“O estudo analisou vários substitutos para o carvão, um por um, mas nós realmente precisamos contar com um mix de fontes de eletricidade diferentes”, afirmou Bean, argumentando que a energia eólica e solar ainda são muito caras.

“Dadas as restrições de dinheiro e política, o gás natural ainda tem um papel importante como um combustível ponte no caminho para fontes mais limpas de energia, incluindo energia eólica e solar”, opinou o conselheiro.

Caldeira finaliza o seu argumento lembrando que quaisquer que sejam as fontes, a "conservação e eficiência são essenciais”. Com informações da National Geographic.

 

Redação CicloVivo



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